Estética também é saúde: o que as operações sanitárias revelam sobre o maior desafio da estética no Brasil

 

O mercado da estética no Brasil vive um crescimento histórico. O país se consolidou como um dos maiores consumidores de procedimentos estéticos do mundo, impulsionado pela valorização da imagem, avanços tecnológicos e aumento da procura por tratamentos minimamente invasivos.

No entanto, esse crescimento trouxe consigo um desafio importante: a necessidade de estruturar o setor sob o ponto de vista sanitário e regulatório.

Nos últimos anos, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em parceria com vigilâncias sanitárias estaduais e municipais, passou a intensificar operações de fiscalização em clínicas de estética em todo o país.

Essas ações têm revelado um cenário preocupante: o crescimento acelerado do setor não foi acompanhado, na mesma velocidade, pela estruturação sanitária dos serviços.

 

O que são as operações sanitárias na estética

As chamadas operações sanitárias são ações coordenadas entre diferentes níveis do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária com o objetivo de verificar se serviços de saúde e de interesse à saúde estão funcionando de forma segura para a população.

No caso da estética, essas operações têm como foco avaliar:

  • Condições sanitárias dos estabelecimentos
  • Regularização de produtos utilizados
  • Biossegurança dos procedimentos
  • Rastreabilidade de insumos
  • Estrutura física dos serviços
  • Documentação sanitária obrigatória

Entre as principais iniciativas recentes está a Operação “Estética com Segurança”, coordenada pela Anvisa.

 

Operação Estética com Segurança – fase I (fevereiro de 2025)

A primeira fase da operação teve início em 11 de fevereiro de 2025, envolvendo cerca de 50 fiscais federais, estaduais e municipais. As inspeções ocorreram em cidades como Brasília, Goiânia, Belo Horizonte, Paulo, Osasco e Barueri.

Somente no primeiro dia da operação, 19 serviços de estética foram vistoriados, todos apresentaram irregularidades sanitárias.

No balanço inicial da operação:

  • 31 clínicas foram inspecionadas
  • 30 apresentaram irregularidades
  • 6 clínicas foram interditadas totalmente
  • outras sofreram interdição parcial ou autuação sanitária.

Entre as principais irregularidades identificadas estavam:

  • medicamentos e cosméticos vencidos
  • produtos sem registro na Anvisa
  • toxina botulínica armazenada sem controle de temperatura
  • substâncias proibidas para uso estético
  • reutilização de materiais de uso único
  • ausência de protocolos de biossegurança
  • falhas na esterilização de equipamentos

Esses achados evidenciam que grande parte das clínicas não possuía estrutura sanitária compatível com os procedimentos realizados.

 

Operação Estética com Segurança – fase II (julho de 2025)

Diante dos resultados da primeira fase, a Anvisa iniciou uma segunda etapa da operação em 1º de julho de 2025, ampliando o alcance das fiscalizações.

Essa fase envolveu 77 fiscais e incluiu inspeções em clínicas de estética, farmácias de manipulação e distribuidoras de produtos médicos e cosméticos no Distrito Federal e em estados como São Paulo, Amazonas, Piauí e Ceará.

Os estabelecimentos fiscalizados foram selecionados com base em:

  • denúncias de pacientes
  • suspeitas levantadas na primeira fase da operação
  • investigação de irregularidades no mercado de produtos estéticos.

Entre os principais problemas encontrados estavam:

  • comercialização de cosméticos em forma injetável
  • produção irregular de medicamentos manipulados
  • equipamentos descalibrados
  • materiais descartáveis sendo reutilizados
  • armazenamento inadequado de substâncias sensíveis.

Essas irregularidades representam risco direto de infecção, eventos adversos e complicações graves para pacientes.

 

A grande operação sanitária do Distrito Federal (2026)

Em março de 2026, a Vigilância Sanitária do Distrito Federal realizou uma das maiores ações de fiscalização já registradas no setor de estética no país.

Durante quatro dias de operação, foram inspecionadas 424 clínicas de estética em todas as regiões administrativas do DF.

O resultado foi expressivo:

  • 66 estabelecimentos autuados
  • 31 clínicas interditadas
  • 811 produtos irregulares apreendidos, incluindo medicamentos e cosméticos sem regularização sanitária.

A operação teve como objetivo garantir que os serviços estéticos fossem prestados com segurança, verificando infraestrutura, qualificação profissional, regularização dos produtos e cumprimento das normas sanitárias.

Esses dados reforçam uma realidade importante: a fiscalização sanitária no setor da estética está se intensificando em todo o país.

 

O marco regulatório da estética no Brasil 

Apesar do crescimento do setor, a regulamentação da profissão de esteticista e cosmetólogo no Brasil é relativamente recente. O principal marco regulatório é a Lei nº 13.643, de 3 de abril de 2018, conhecida como Lei do Esteticista e Cosmetólogo. Essa legislação reconheceu oficialmente a profissão e estabeleceu:

  • as atividades permitidas ao esteticista
  • os níveis de formação profissional
  • a atuação em procedimentos estéticos não invasivos e alguns minimamente invasivos
  • a responsabilidade técnica sobre serviços de estética

A lei representou um avanço importante para a valorização da profissão. No entanto, ela não criou um órgão regulador profissional.

 

O grande gargalo da estética brasileira: a ausência de um conselho profissional

Um dos maiores desafios estruturais da estética no Brasil atualmente é a ausência de um Conselho Federal de Estética. Profissões da área da saúde normalmente possuem conselhos profissionais responsáveis por:

  • regulamentar o exercício profissional
  • definir diretrizes técnicas
  • fiscalizar a prática profissional
  • orientar profissionais e serviços

A estética, apesar de possuir legislação própria, ainda não conta com um conselho federal estruturado. Isso cria uma situação regulatória delicada. Sem um conselho profissional consolidado:

  • faltam diretrizes técnicas nacionais claras
  • há divergências de interpretação entre municípios
  • profissionais ficam mais expostos a conflitos regulatórios
  • a vigilância sanitária acaba assumindo papel ainda mais central na fiscalização dos serviços.

Esse cenário mantém o setor em uma linha regulatória tênue, na qual muitos profissionais ainda enfrentam insegurança sobre limites de atuação e exigências sanitárias.

 

O papel da vigilância sanitária nesse cenário

Diante da ausência de um órgão regulador profissional consolidado, a Vigilância Sanitária acaba exercendo um papel ainda mais relevante no setor. Seu objetivo é proteger a saúde da população, garantindo que serviços de interesse à saúde operem com segurança.

A vigilância atua:

  • estabelecendo normas sanitárias
  • fiscalizando estabelecimentos
  • avaliando riscos à saúde coletiva
  • investigando eventos adversos
  • aplicando medidas sanitárias quando necessário.

Ou seja, a atuação da vigilância sanitária não é punitiva por natureza ela é preventiva e protetiva.

 

O verdadeiro desafio da estética no Brasil

As operações sanitárias deixam claro que o maior problema da estética hoje não está nos profissionais, mas na estrutura regulatória e na falta de preparo sanitário de muitos serviços.

A maioria dos esteticistas domina técnicas estéticas. Mas poucos recebem formação em temas como:

  • licenciamento sanitário
  • biossegurança
  • protocolos sanitários
  • gerenciamento de resíduos e riscos assistenciais.
  • estrutura física mínimas obrigatórias
  • rastreabilidade de produtos

Isso faz com que muitos serviços funcionem tecnicamente bem, mas sanitariamente vulneráveis.

 

Segurança sanitária como diferencial profissional

A regulamentação sanitária não deve ser vista apenas como uma obrigação legal. Ela é também uma estratégia de valorização profissional. Clínicas que estruturam corretamente seus processos sanitários:

  • trabalham com mais segurança
  • reduzem riscos jurídicos
  • aumentam a confiança dos pacientes
  • fortalecem sua reputação no mercado

No cenário atual da estética brasileira, segurança sanitária tornou-se um dos maiores diferenciais competitivos do setor.

Como podemos contribuir com esse processo

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O trabalho envolve:

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  • Elaboração da pasta sanitária completa personalizada
  • Desenvolvimento de protocolos e POPs de acordo com a sua realidade
  • Implantação de boas práticas de assistência à saúde
  • Adequação documental
  • Preparação para inspeções da vigilância sanitária
  • Follow-up regulatório
  • Direcionamento técnico
  • Interlocução com a VISA municipal
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O objetivo é simples:

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Referências

Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Operação Estética com Segurança (2025).

Balanço das inspeções sanitárias em clínicas de estética – Anvisa.

Secretaria de Saúde do Distrito Federal – Fiscalização de clínicas de estética (2026).

Lei nº 13.643/2018 – Regulamentação da profissão de Esteticista e Cosmetólogo