A estética deixou de ser apenas um segmento ligado à beleza e passou a ocupar posição estratégica na economia mundial. O problema é que, junto com o crescimento acelerado do setor, cresceram também os impactos ambientais associados aos procedimentos estéticos, cosméticos, embalagens plásticas e geração de resíduos.
Segundo revisão publicada na revista científica Polymers em 2022, de autoria de Anelise Leal Vieira Cubas, Ritanara Tayane Bianchet, Izamara Mariana Souza dos Reis e Isabel C. Gouveia, a indústria cosmética está entre os mercados de crescimento mais acelerado do mundo e possui forte dependência de plástico em embalagens e formulações químicas.
O crescimento desenfreado da estética moderna trouxe um efeito colateral importante: aumento significativo da produção de resíduos, consumo excessivo de descartáveis e maior liberação de contaminantes ambientais.
Clínicas estéticas, consultórios e serviços de beleza geram diariamente resíduos potencialmente contaminantes, incluindo:
Muitos desses resíduos possuem classificação semelhante aos resíduos de serviços de saúde e exigem gerenciamento adequado.
O estudo “Resíduos de serviços de saúde: uma análise sobre a geração de resíduos na área de estética e cosmética”, publicado no Brazilian Journal of Development em 2022 por Vera Lucia Pereira dos Santos, Rita de Cássia Alberini, Rodrigo de Cássio da Silva, Diogo Siqueira da Silva e Rodrigo Berté, destaca que os serviços de estética produzem resíduos que exigem aplicação obrigatória do PGRSS, incluindo segregação, acondicionamento, armazenamento, transporte e destinação final adequada.
Outro estudo publicado na revista Estudo & Debate em 2023, conduzido por Mônica Manica Fraporti, Patricia Inês Schwantz, Robson Evaldo Gehlen Bohrer e Daniela Mueller de Lara, reforça que o crescimento acelerado do setor da beleza trouxe aumento no volume de resíduos e descarte inadequado em clínicas estéticas.
Um dos maiores problemas ambientais relacionados à estética está nos microplásticos presentes em cosméticos e produtos de higiene pessoal.
Esses microplásticos são utilizados em:
Após o uso, essas partículas seguem para o esgoto e muitas não conseguem ser removidas completamente nas estações de tratamento, alcançando rios, mares e ecossistemas aquáticos.
O artigo “Microplásticos: uso na indústria cosmética e impactos no ambiente aquático”, publicado na revista Química Nova em 2022 por Julia Gabriela Matos Vargas, Vinicius Bueno da Silva, Lílian Karla de Oliveira e Eduardo Ferreira Molina, destaca que os microplásticos possuem menos de 5 mm, não se degradam facilmente e representam risco crescente à vida aquática e à cadeia alimentar humana.
Os autores apontam ainda que esses contaminantes podem atuar como transportadores de substâncias tóxicas no ambiente aquático, aumentando os riscos ambientais e sanitários.
A biossegurança na estética ampliou o uso de materiais descartáveis. Embora muitos sejam fundamentais para prevenção de infecção, o consumo excessivo sem planejamento sustentável gera enorme volume de resíduos.
Hoje, procedimentos estéticos minimamente invasivos dependem de:
Esse modelo elevou drasticamente a produção de resíduos sólidos.
Pesquisas internacionais já discutem o impacto da chamada “beleza descartável”, associando parte do mercado estético ao consumo acelerado e ao excesso de plástico presente em embalagens e dispositivos cosméticos.
O descarte incorreto de resíduos estéticos pode gerar:
Além disso, resíduos químicos presentes em cosméticos e saneantes podem persistir no ambiente por longos períodos.
Estudos internacionais já discutem os impactos ambientais de contaminantes emergentes presentes em produtos de cuidados pessoais, especialmente compostos químicos que chegam aos sistemas hídricos e apresentam difícil degradação ambiental.
O consumidor moderno passou a exigir:
A própria indústria cosmética internacional já discute:
O futuro da estética será cada vez mais regulado por critérios ambientais, sanitários e sustentáveis.
Muitos profissionais ainda acreditam que o PGRSS é obrigatório apenas para hospitais. Isso não é verdade.
Clínicas estéticas, consultórios e serviços que geram resíduos de serviços de saúde precisam implementar um Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde eficiente e compatível com sua realidade operacional.
O PGRSS não é apenas uma exigência documental. Ele representa:
Quando não existe gerenciamento correto dos resíduos, o impacto ambiental aumenta silenciosamente todos os dias.
E é justamente sobre isso que precisamos falar com mais profundidade.
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Durante o encontro serão abordados:
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